Neste primeiro texto da nossa série de cinco artigos intitulada “Desvendando sua bike”, você vai aprender algumas noções básicas de ciclismo.
Considerado um dos esportes mais tradicionais do velho continente, o ciclismo, que foi inventado em 1790 por Jh Civrac (França) e passou a fazer parte dos Jogos Olímpicos em 1896, é uma verdadeira mania nacional em vários países e conta cada vez mais com alta tecnologia de materiais e inúmeros estudos de biomecânica para aumentar a eficiência e o desempenho do atleta.
Geometria
Existem vários estudos em cima da melhor geometria da bike para o melhor aproveitamento da força aplicada no desempenho do atleta. As bicicletas convencionais, usadas pela maioria dos ciclistas profissionais, seguem os padrões mais tradicionais possíveis, diferenciando apenas na composição dos materiais.
Há mais de 100 anos a bike obedece aos mesmos princípios de alavanca de melhor grau de aplicação de força pelo atleta. Muitos estudos em biomecânica foram realizados, porém não houve mudanças substanciais na geometria básica das bikes de competição, mas sim pequenos ajustes, como:
- bikes para time-trail e pista um pouco mais avançadas para melhorar a capacidade de giro (mais conforto)
- bikes mais recuadas para o ciclista obter mais alavanca, aplicando maior força nos pedais (escaladores)
- bikes com a frente mais rebaixada para melhorar a aerodinâmica.
Componentes
A maioria das bikes de estrada é formada por um quadro composto por diversos tipos de materiais (alumínio, cromoly, carbono, titânio, entre outros) com tubos dispostos de modo triangular (top, seat e central tube) e uma gancheira que dá sustentação à roda traseira.
Há ainda o guidão, os suportes, o selim, as rodas, os pneus, os canotes, os freios, os câmbios, os pedais, os volantes, a corrente, a catraca e o pé-de-vela.
Tipos
Para o uso em competições, temos as seguintes bikes: Speed-bike (estrada, time-trail, de pista); Montain-bike, BMX, Trial, que são os modelos off-roud.
Tamanho
O tamanho do quadro, que pode ser de diversos tipos de materiais (alumínio, cromoly, carbono, titânio), varia de acordo com a estatura do atleta.
Várias fórmulas podem ser usadas para estipular o tamanho de quadro ideal para o usuário.
- Ex.: 0,68 x altura do cavalo + 1.
Pode-se usar ainda o tamanho de acordo com a estatura utilizando como parâmetros as seguintes medidas:
- Atleta com 1,65 – 1,70 cm quadro de 51 – 53 cm
- Atleta com 1,70 – 1,75 cm quadro de 54 – 54 cm
- Atleta com 1,75 – 1,80 cm quadro de 54 – 56 cm
- Atleta com 1,80 – 1,85 cm quadro de 56 – 58 cm
Regulagem
A boa regulagem da bike depende de um certo “feeling” do atleta, que num primeiro instante dependerá da ajuda de alguém para analisar sua posição em cima da bike, analisando ainda o tipo de prova que ela será destinada, e o tipo de atleta que vai usá-la. Normalmente temos que:
ALTURA DO SELIM o atleta deve posicionar a perna que esta na posição mais baixa dos pedais com o pé-de-vela paralelo ao seat tube, obedecendo um ângulo de 30º na flexão do joelho.
POSIÇÃO DO SELIM adotar uma posição neutra, nem tão avançado nem recuado, de forma que obedeça uma linha imaginaria entre a ponta do selim e o maléolo externo da perna que está na posição mais baixa.
ÂNGULO DO SELIM deve ser plano, paralelo ao chão.
GUIDÃO deve obedecer a largura dos ombros do atleta (mais conforto) ou de acordo com a preferência.
AVANÇO DE GUIDÃO de acordo com a envergadura do atleta, de modo que o dorso permaneça o mais plano possível em uma posição confortável.
CLIP-ON deve ser regulado de forma que os cotovelos, quando em posição aerodinâmica, apresentem um ângulo de aproximadamente 90º.
COMPRIMENTO DO PÉ-DE-VELA geralmente obedece o tamanho do atleta, nível ou o tipo de prova que será destinado, lembrando que, quanto maior o pé-de-vela, mais força e maior a alavanca. Quanto menor, mais eficiente é o giro.
VOLANTES E CATRACAS variam de acordo com o tipo de prova que serão destinados. Quanto maior o volante, maior a força e maior a distância percorrida e menor giro, sendo que a catraca obedece a ordem inversa.
* Emerson Gomes (na foto), técnico integrante da equipe MPR Assessoria Esportiva e coordenador técnico do Pão de Açúcar Club, é triatleta profissional com 20 anos de experiência no esporte competitivo (campeão brasileiro de Sprint Triathlon 1996, vice-campeão do Troféu Brasil de Triathlon 1997, 1999 e 2000, além de campeão da terceira etapa da Copa América de Triathlon 1998).